O milho dos EUA está ameaçado
Um novo fator passou a influenciar esse cenário
Um novo fator passou a influenciar esse cenário - Foto: FreePik
O avanço dos custos de fertilizantes volta a pressionar as decisões de plantio nos Estados Unidos e pode alterar o equilíbrio entre as principais culturas da próxima safra. A avaliação é de Jeferson Souza, analista de inteligência de mercado.
Durante o último fórum do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o USDA, já havia a expectativa de redução da área destinada ao milho no país. As projeções indicavam uma queda superior a 4 milhões de acres, acompanhada por um aumento da área de soja.
No início de março, porém, um novo fator passou a influenciar esse cenário. Os conflitos no Oriente Médio provocaram forte alta no preço dos fertilizantes nitrogenados no mercado norte-americano, gerando preocupação entre produtores do cinturão agrícola em um momento decisivo para a definição do plantio.
Segundo a análise, existe uma demanda latente por nitrogenados na região e essa necessidade precisa ser resolvida no curtíssimo prazo. O histórico recente indica que movimentos bruscos de custo podem reduzir o interesse pelo milho, cultura mais dependente desse tipo de fertilizante. Situação semelhante foi observada em 2022, quando a elevação dos preços também afetou o apetite dos produtores.
O aumento não se restringe aos Estados Unidos. As referências de mercado indicam que a ureia registrou alta em todas as regiões do mundo, em meio a incertezas sobre o abastecimento global de nitrogênio. Na primeira semana do conflito, os preços do produto avançaram cerca de 30%, retornando a patamares próximos aos observados em 2022.
Nesse contexto, o Brasil enfrenta um impacto mais limitado no momento. Como o país não está em um período de pico de consumo de fertilizantes, a pressão imediata tende a ser menor do que ocorreria em uma fase de maior demanda.